RIO DAS RÃS: UM EXEMPLO DE LUTA E CONQUISTA

Situada no município de Bom Jesus da Lapa, entre o rio São Francisco e o rio das Rãs, a comunidade remanescente de quilombo Rio das Rãs teve seu território titulado pela Fundação Cultural Palmares no ano de 2000 com 272 mil hectares.

As cerca de 300 famílias de Rio das Rãs distribuem-se por diversos pontos de seu território nas localidades conhecidas como Brasileira, Capão do Cedro, Enxu (ou Exu), Riacho Seco, Mucambo, Pau Preto, Retiro, Corta Pé e Rio das Rãs.

A região do médio rio São Francisco onde se encontra essa comunidade passou a ser ocupada a partir do século XVI. Entre os séculos XVII e XVIII, quando se encontrava na rota canavieira nordestina e mineradora, a região experimentou um período de grande prosperidade, principalmente com a criação de gado. Depois, porém, vivenciou quase cem anos de dificuldades em função da decadência da atividade pecuária. Nesse período permaneceram na região quase que exclusivamente negros e índios aquilombados.

Com a instituição da Lei de Terras em 1850, grileiros, posseiros e supostos donos de terras buscaram obter ou regularizar títulos de propriedade sem levar em conta os direitos da população que historicamente ocupava a região. Foi nesse processo que, no final do século XIX, o coronel Deoclesiano Teixeira estabeleceu o controle sobre as terras dos quilombolas de Rio das Rãs.

Segundo relatam os moradores mais antigos da comunidade, seus antepassados entraram em acordo com o coronel e, na prática, os comunitários tornaram-se agregados, trabalhando para ele como vaquejadores. Esse arranjo só viria a se modificar na segunda metade do século seguinte.

Passado quase um século de relativa calmaria na região, a comunidade se defronta com novas ameaças. No início da década de 1970, novos conflitos se iniciaram na região. A violência foi intensa e muitos quilombolas foram expulsos, além de algumas localidades acabarem se extinguindo. No início da década de 1980, a compra dessas terras pelo Grupo Bial-Bonfim Indústria Algodoeira agravou ainda mais essa situação de conflito.

Nessa luta, os quilombolas contaram com diversos aliados como o Ministério Público Federal, o Movimento Negro Unificado e a Comissão Pastoral da Terra. A comunidade saiu vitoriosa e conseguiu em 2000 o título sua terra.

Os quilombolas de Rio das Rãs tornaram-se exemplo de luta e estímulo para outras comunidades quilombolas da Bahia e do Brasil por sua resistência e suas conquistas.

• O Povoado

O Bioma caatinga possui uma área de aproximadamente 100 mil Km², abrangendo 10% do território nacional e fica localizado na faixa subequatorial, entre a Floresta Amazônica e a Floresta Atlântica. Na maior parte da sua área o clima é quente e semi-árido com a média de temperatura anual ficando entre 27º C e 29º C e média pluviométrica inferiores a 800 mm. Na Caatinga a característica marcante é a irregularidade na distribuição das chuvas. Sendo assim os rios por sua vez são intermitentes, só desaguando apenas nos períodos das chuvas, tendo os seus cursos interrompidos durante a estação seca.

As vegetações para suportar a falta de água, perdem as folhas e ficam com o aspecto de mortos. Mas após as primeiras chuvas a diversidade animal e vegetal se tornam bastante evidente com as plantas florescendo e os animais entrando em fase de reprodução, deixando os seus descendentes que herdaram a sua adaptação para poder suportar o longo período de estiagem.

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LOCALIZAÇÃO E HISTÓRIA DO POVOADO

O povoado de Lage dos Negros é uma comunidade quilombola pertencente ao município baiano de Campo Formoso, cujo este município faz parte da microrregião de Senhor do Bonfim e da 28ª região administrativa do Estado e Região Econômica do Piemonte da Diamantina. A extensão do município é de 6.806 Km².

Sua história teve seu início por volta do século XVIII, quando um escravo chamado Luiz José dos Santos saíra do quilombo de Bananeiras, localizada atualmente no município de Antonio Gonçalves, e fora a busca de um lugar propício a viver, andando pelo sertão da Serra das Jacobinas mais precisamente no povoado de São Tomé (Campo Formoso-Ba) casou-se e teve filhos, caminhado mais chegou a Fazenda Espírito Santo (atualmente o povoado de Gameleira do Dida) para trabalhar como capataz para o senhor Fagundes de Barros, só que sua família foi crescendo a cada ano até que o senhor da fazenda lhe fez uma proposta de compras uma área para ele poder trabalhar e criar seus filhos e netos, sem exitar muito ele aceitou a oferta e foi morar nesta propriedade, observado a paisagem notou que na beira do riacho havia um enorme lajedo de pedra e toda sua família eram negros surgiu então a idéia de batizar o lugar de Lage dos Negros. E até hoje este nome está presente no cotidiano da população, que tem orgulho de serem o que são QUILOMBOLAS, nativos da Bahia e descendentes de africanos como todos os outros que aqui vivem neste imenso país.

O povoado é localizado a quase 100 km de distância da sede do município, o território quilombola de Lage dos Negros, hoje é superior a 1.000 Km² (faltando atualizar a real demarcação territorial). O acesso ao povoado é dificultoso, pois a estrada é de chão batido. A sede do território tem uma população estimada em mais de 4 mil habitantes, e todo o território conta com 23 comunidades, que juntas totalizam uma população superior a 10 mil habitantes (EBDA, 2007), deste há uma taxa de analfabetismo superior a 60% da população com faixa etária superior a 40 anos e 15% entre os jovens e adultos com faixa etária de 15 a 39 anos. A educação é disponibilizada pelo poder público municipal que atende a uma clientela que vai do ensino infantil ao ensino fundamental ficando sem acesso ao ensino médio tão pouco ao superior, no esporte e lazer não existem espaços destinados à pratica de esporte e lazer, na área da saúde a comunidade dispõem de uma unidade do PSF (Programa Saúde da Família), que atende à toda população de Lage dos Negros e Região

Lage dos Negros vem resistindo a uma serie de precariedade, lutamos por melhores condições vida e também de uma melhor infra-estrutura do povoado, uma saúde eficaz, uma verdadeira educação de inclusão e não de comparação, uma segurança igual para todos e também haja a inserção dos quilombolas no mercado de trabalho não imigratório, pois estamos cansados de assistir aos nossos jovens terem de sair de sua terra e irem em busca de “melhores condições de vida”, sabemos que isto é direito nosso, mas nem todos têm acesso a esses eles. Para nós isso parece ser utopia, um verdadeiro sonho que parece nunca ser alcançado. Estamos lutando e indo atrás de nossos ideais de igualdade para todos que aqui vivem.

Como toda comunidade quilombola brasileira e nordestina apesar de termos poucos recurso tentamos preservar nossa história e a nossa tradição para tanto há na comunidade diversas manifestações culturais tais como: O Congado, a Folia de Reis, a Roda de São Gonçalo, a Roda de Terreiro, A festa do Padroeiro Santo Antônio com seus treze dias de festa, A capoeira e outras.

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MEIO FÍSICO

Clima:

O clima predominante é o quente do semi-árido, isto porque o território está localizado no polígono da seca. Onde a temperatura média varia entre 23 a 28º C, e as chuvas variando entre 300 a 2000 mm anuais, mas, durante os últimos anos estas chuvas não estão ultrapassando 400 mm anuais (BAHIA, 1994).

Relevo :

O território apresenta um relevo diversificado com uma verdadeira cadeia de serras, vales, grotas, tabuleiros e grutas. Temos a Serra do São Francisco, que compreende quase todo o território, Vale do Salitre, com uma verdadeira grade produtiva de hortaliças irrigadas, grotas, tabuleiros. Existem uma grande diversidade de Cavernas, que é um atrativo para diversos pesquisadores que, vindos de diversas partes do Brasil e também do mundo, ficam maravilhados com a grandiosidade e a diversidade de nossas grutas, entre elas destacam-se a gruta da Boa Vista, com mais de 100 Km de galerias sendo a maior caverna do hemisfério sul do planeta, a gruta do Sumidouro, que é a mais visitada da região, a gruta da Barriguda e a do Convento onde elas estão entre as maiores do Brasil.

Hidrografia:

O território está localizado dentro da Bacia do Rio Salitre, um dos afluente do Rio São Francisco, onde ao longo das margens do rio há uma riqueza em cultivo de hortaliças e frutas irrigadas.

Tipos e aptidões dos solos:

Geologicamente o solo do território é dividido em arenitos, argilosos depósitos eluvionares e coluvionares, calcário e depósitos fluviais (BAHIA,2006).

O solo apresenta grande riqueza mineral como ametista, amianto, barita, calcário, calcita, calcita ótica, cristal de rocha e outros (SEBRAE, 1996).

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MEIO BIÓTICO

Vegetação:

A vegetação do território é quase toda constituída por caatinga, destaca-se os tipos caatinga arbórea densa, com e sem palmeira, caatinga arbórea aberta, caatinga florestal (SEBRAE, 1996).

Algumas plantas de nossa vegetação armazenam água como os cactos, outras se caracterizam por terem raízes praticamente na superfície do solo para poder absorver o máximo da água da chuva. Algumas espécies mais comuns da região são: umburana, juazeiro, jurema preta, licurizeiro, umbuzeiro, mandacaru, aroeira, pau d’arco roxo e amarelo.

Na caatinga existem áreas com muita umidade, onde são chamados de brejos. Nessas áreas é possível produzir quase todos os tipos de alimentos. Essas áreas se localizam próximas as onde a quantidade de chuva é maior.

Fauna:

Existem várias espécies de animais no ecossistema do território de Lage dos Negros que juntas colaboram para o equilíbrio ecológico do nosso ambiente. Dentre estes podemos citar: veado, teiú, preá, sagüi, raposa, pomba asa branca, beija-flor, papagaio, carcará, gavião, etc. todos em pequenas quantidades pois a caça predatória está levando a nossa fauna para um estágio critico. Entre as quais destacaremos: tatu, onça, ema, periquito, pássaros diversos.

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MEIO SÓCIO-ECONÔMICO

População :

A população estimada pelo IBGE dentro do território em 2007 era de aproximadamente 12.000 habitantes nas 23 comunidades quilombolas do território.

Atividades econômicas:

A economia dentro do território e basicamente compostas por dois setores

Setor Primário:

- Agricultura: a cultura de maior destaque é o sisal, seguido de outras culturas como mamona, milho, feijão, mandioca, hortaliças e frutas.

- Pecuária: as condições climáticas favorecem a atividade pecuária de caprino cultura, pela maior resistência dos rebanhos, mas também se desenvolvem outras atividades como bovinocultura, suinocultura, ovinocultura e apicultura.

Setor Terciário:

Onde destacamos o comercio varejista do território, com insumos agrícolas, serviços na área de educação e saúde.

Saúde:

No setor de saúde, apresenta uma característica precária, onde que no território contamos apenas com um único posto de saúde, onde o atendimento e oferecido pelo Programa Saúde na Família – PSF, e atende a uma população superior a 15 mil pessoas entre 23 comunidades.

Educação :

O Território conta com uma rede de ensino municipal (educação infantil e fundamental I e II), estadual (médio) com uma extensão do Colégio Luzia de Freitas.

A educação em nosso território enfrenta problemas semelhantes aos enfrentados por outras localidades como deficiência na capacitação de educadores, carência de material didático, instalações precárias na maior parte escolas isoladas.

No território há também convênios entre associações e instituições educacionais a semi-presencial, oferecendo graduações e especializações.

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Selon les derniers chiffres mis au point par les chercheurs et les militants des ongs on relève l’existence de 300 à 500 communautés quilombolas dans l’Etat de Bahia. Selon les sources fédérales ce nombre est de 159 dans l’Etat selon le Cadastro Geral de Remanescentes de Comunidades de Quilombos d’octobre 2006.

Jusqu’en ocobre 2006 seules quatre communautés avaient pu faire légaliser leurs terres (ne serait-ce que partieellement par le gouvernement fédéral ou celui de l’Etat: Barra, Bananal e Riacho das Pedras dans la Chapada Diamantina; Parateca e Pau D’Arco; Rio das Rãs; Mangal e Barro Vermelho.

• Rio das Rãs
• Parateca e Pau D’Arco
• Mangal e Barro Vermelho , dans le Medio São Francisco
• Barra e Bananal
• São Francisco do Paraguaçu dans le Reconcavo
• Jatobá au Nord pas très loin de la frontière avec l’Eta de Pernambuco
• Sacutiaba e Riacho de Sacutiaba à l’OUest

Projeto “O Quilombola: desenvolvimento através da cultura e conservação ambiental”

Através do projeto “O Quilombola: desenvolvimento através da cultura e conservação ambiental”, em parceria com o Grupo de Capoeira Angola Volta ao Mundo, a Voz da Natureza está contribuindo para o desenvolvimento sustentável da Comunidade Quilombola de Retiro de Mangaraí, em Santa Leopoldina-ES. O projeto visa promover o turismo étnico-cultural e ambiental na comunidade, tendo como pilares o fortalecimento da cultura afro-brasileira e a preservação ambiental.

SAINTS PATRONS des communautés QUILOMBOLAS DE BARRA E BANANAL (Rio de contas)

A comunidade de Bananal tem como padroeira, a Santa Nossa Senhora da Conceição. Geralmente quando há a festa na comunidades os moradores das comunidades vizinhas, vão acompanhar a missa, logo após a missa tem o festa animada com muito forró.

A comunidade de Barra tem como padroeiros, São Sebastião e Nossa Senhora Aparecida. A festa do São Sebastião acontece no mês de janeiro (data móvel), com novena, leilão e quermesse na véspera, procissão e bandeira com a musica oficial desde a fundação do povoado.

A festa de Nossa Senhora Aparecida, passou a ser comemorada pelos moradores da comunidade de Barra, a partir de 1.977. A festa segue com novena com as comunidades vizinhas (cada dia com uma comunidade diferente, um grupo para cada noite), procissão, leilão e quermesse, visita da bandeira às residências e no ´último dia acontece a escolha do novo festeiro, bem como a equipe que realizará a festa no ano seguinte, na véspera da nona noite acontece os bailes tradicionais, animados com muito forró.

Remanescente de Quilombo Laje dos Negros

La communauté Laje dos Negros se trouve sur la commune de Campo Formoso, dans le sertão de bahia, à 96 km du siège de la Codevasf à Juazeiro (BA). C’est une communauté quilombola fondée au milieu du XIX ènme siècle par un esclave noir du nom de Luiz José dos Santos, qui réussit à acheter une terre à un maître de plantation dénommé Misael Fagundes, qui habitait Gameleira. A partir de cet instant surgit une rivalité entre la communauté noire et la communauté blanche. Laje dos Negros est marquée par beaucoup de conflits politiques et ethniques et par l’absence de politiques publiques.

Laje dos Negros se trouve à la limite de la municipalité de Juazeiro (BA), à une distance de 120 km, avec laquelle elle entretient une forte relation économique et sociale. Elle fait frontière aussi avec la municipalité d’Umburanas et enfin avec la commune de Sento-Sé.

La population est estimée à environ 8 mille habitants dans le siège du district et si on ajoute à cela les localités de Gameleira, Pedra, Patos, Casa Nova, Abreus, Alagadiço, Borges, Queixo Dantas, Pacuí e Bebedouro, sa population s’élève à environ 15 mille habitants.

La communauté Laje dos Negros a une richesse naturelle expressive: de nombreuses chaines de montagnes, avec des minerais variés (chrome, cristal) et des cavernesqui constoituent un site de grande valeur scientifique mondiale, qui sont la Toca da Barriguda, (la 2ème plus grande du Brésil), Toca do Calor de Cima, Toca do Pitu, Toca do Morrinho et a Toca da Boa Vista, cette dernière étant la plus grande caverne du Brésil et de l’hémisphère sud et la 13ème au monde.

La végétation de la région est exhubérante et assez diversifiée, mais les ressources naturelles vont en s’ appauvrissant décennie après decennie, résultant dans la disparition d’une grande partie de la faune et de la flore, d’où la présence de nombreuses parcelles dégradées.

La région comptait autrefois des petites rivières, qui suite à la déforestation, ont fini par disparaître, ne laissant que des lits secs. Seul la localité de Gameleira présente quelques portions des rivières avec de l’eau, la seule rivière pérenne étant le Pacuí, qui trouve sa source à peu de kilomètres à l’est dans la Toca da Boa Vista.

L’activité productive principale de Laje dos Negros est l’agriculture de subsistance, avec la plantaion du manioc, d’où une grande production de farine. On plante aussi le haricot et le maïs. Une autre activité expressive est celle des cultures de revenue, comme le sisal et la mamona. La commercialisation de la fibre de sisal est faite sans transformation, ce qui cause une rentabilité faible, et l’on doit ajouter que cette culture provoque de nombreuses mutilations chez les producteurs ruraux

Les femmes travaillent avec la paille de licuri, plante native de la région, produisant chapeaux, balais et nattes, afin de garantir un revenu minimum pour leur survie. La continuité de cette activité est importante pour la conservation des pieds de licuri , qui sont éliminés par la constante déforestation.

Les déficiences dans l’infrastructure éducative et dans la qualité de l’enseignement sont immenses. Ainsi comme la communauté ne possède pas de lycée, il est nécessaire pour terminer ses études secondaires de se déplacer 96 km par une route de terre jusqu’àu bourg.

Le Codevasf de Juazeiro est intervenu dans la communauté de Laje dos Negros à travers le programme APL (Arranjo Produtivo Local), qui s’intéresse à l’agriculture familiale et aux populations fragilisées. Ce projet envisage le développement de l’élevage caprin et de l’apiculture, avec comme finalité le développement de revenu, la permanence des femmes et des hommes à la campagne, l’assistance technique basée sur des principes agroécologiques, la recherche de la gestion participative dans la planification et l’exécution des politiques publiques et le renforcement des organisations de la société civile.
En synthèse, ces principes et conceptions garantissent que le processus de développement que l’on souhaite atteindre soit centré sur les gens et sur l’amélioration de leur qualité de vie, tout cela allié à la préservation de la nature, la préoccupation avec les générations futures et la participation citoyenne.

Parmi les problèmes liés à la terre au Brésil mais ne relevant pas directement d’une réforme agraire, figurent deux cas distincts qui ont cependant des points communs : celui des communautés rurales noires, formées de descendants d’esclaves qui avaient fui pour se cacher dans des zones reculées : les quilombos et celui des Indiens, presque totalement éliminés et relégués jusqu’aujourd’hui sur des terres inoccupées dont on a constitué des réserves. Nous tentons d’apporter ici quelques informations au sujet des quilombos, ou plutôt des ‘comunidades remanescentes quilombolas’ qui sont évaluéees à environ 3500 dans le Brésil tout entier mais dont seulement 30 environ ont vu leurs terres légalisées.

L’arrivée des premiers esclaves africains se situe vers 1530. Ils étaient répartis de façon à éloigner les unes des autres les personnes originaires des mêmes ethnies, dans le but d’éviter qu’elles s’organisent et se rebellent. Certains historiens font remonter à 1600 – 1630 la création des premiers quilombos, composés à l’origine de très peu de personnes, souvent exténuées, affamées et malades. Il est probable d’ailleurs qu’il y eut une collaboration entre esclaves fugitifs et Indiens eux aussi pourchassés.

C’est à cette époque que se forma le plus célèbre d’entre eux, celui de Palmares (qui compta jusqu”à 30 et 50000 personnes), dans une région montagneuse du Nordeste, à la frontière des états actuels d’Alagoas et de Pernambouco. Il résista pendant presque 100 ans aux attaques incessantes du pouvoir en place. Zumbi en fut le chef le plus fameux. Il fut tué en 1695, lors du massacre qui mit fin à l’existence du quilombo mais son nom est toujours resté lié aux luttes des Noirs et plus généralement des opprimés contre leurs oppresseurs.

Des milliers de quilombos se formèrent dans tout le Brésil, certains furent combattus et obligés de résister, d’autres parvinrent à s’insérer dans le contexte social et économique régional. Pendant des siècles ils n’eurent évidemment aucune existence légale et leurs membres continuèrent jusqu’à aujourd’hui à vivre isolés.

Leur niveau de vie est presque toujours très bas. Ce sont des gens marginalisés, peu ou pas alphabétisés mais dont la culture est cependant vivante et qui aspirent à vivre mieux. Plusieurs ONG cherchent à sensibiliser l’opinion publique à leur sujet afin d’améliorer leur situation et de valoriser leur culture.

Ce n’est qu’en 1988 que la Constitution prévit de les faire entrer dans le cadre démocratique et de donner à leurs terres un statut légal. Or ceci n’est pas simple et conditionne, entre autres, les solutions à des conflits liés à la possession de la terre. En effet la plupart des quilombos doivent faire face à un problème commun : la menace de perdre leur terre et la reconnaissance du droit à récupérer celle qui leur revient.

Le premier travail est de les recenser. L’état du Maranhão a fait l’objet d’une étude complète : 401 communautés noires y ont été localisées. Ensuite il convient de définir les critères juridiques qui permettront de décider si telle communauté est (ou n’est pas) un quilombo et a (ou n’a pas) le droit de voir ses terres délimitées, attribuées et protégées contre les fermiers voisins, les agents immobiliers, les exploitants forestiers, les multinationales. En effet, il existe des communautés traditionnelles qui ressemblent à des quilombos mais qui n’en sont pas. Dans le Maranhão toujours, il n’y aurait que 100 quilombos réels.
Quant à l’Etat de Bahia, où plus de 70 pour cent de la population est de descendance africaine, on compte des centaines de communautés noires réparties principalement autour de la zone métropolitaine de Salvador, dans la Chapada Diamantina et le long du Rio São Francisco.

Il y a là tout un champ où s’affrontent diverses conceptions privilégiant soit la continuité historique de l’existence de la communauté, soit l’isolement social et l’autonomie, soit l’aspect foncier (délimitation des terres), soit l’aspect ethnique ou social, soit l’approche économique (autosubsistance) ou écologique (exploitation extractive et douce des ressources naturelles). Dans aucun des documents consultés il n’est question d’une participation des personnes concernées à l’élaboration des critères définissant leur propre identité collective. Elle existe peut-être néanmoins.

Autre problème fréquent : la protection de l’environnement

A ce sujet, l’exemple de la quinzaine de quilombos de la vallée du Rio Ribeira est révélateur. Déjà avant l’arrivée des Européens, le Rio Ribeira, dont l’embouchure se situe à une centaine de kilomètres au sud-est de São Paulo, servait de voie de communication entre les Indiens de la côte et ceux de l’intérieur. Les colonisateurs firent de sa vallée un des premiers points de fixation et y firent venir des esclaves. Au fil du temps l’activité se déplaça vers les actuels états de Minas Gerais, Rio de Janeiro et São Paulo. Les émigrants, les industries, les esclaves, quittèrent la vallée, ce qui fut une chance pour les Indiens qui y demeuraient encore et les communautés rurales autonomes qui s’y étaient créées.

Ils s’y sont maintenus jusqu’à aujourd’hui, près de la forêt d’origine, alors que plus de 90% de celle-ci a disparu. Leur subsistance dépend des terres et des forêts qu’ils occupent mais elle est menacée par l’actuelle politique de protection de l’environnement qui, dans son empressement à préserver la forêt tropicale, a transformé en délit des pratiques agricoles et de cueillette qui garantissaient depuis toujours l’existence de ces communautés sans porter préjudice à celle-ci. Le résultat est que certains jeunes quittent leur groupe et vont grossir les bidonvilles urbains, ceux de Santos par exemple.

Les revendications des diverses communautés rurales noires dépassent donc l’accès et le maintien sur les terres ou la garantie de pouvoir y vivre. Il s’agit aussi d’insérer l’histoire des Noirs dans la société brésilienne et de leur reconnaître une identité propre, alors qu’ils appartiennent à des groupes pour lesquels la société a toujours retardé la reconnaissance du droit à demeurer sur le territoire qu’ils habitent et sur lequel ils travaillent.
A Voir absolument le film Quilombos da Bahia, film documentaire de Antonio Olavo http://www.portfolium.com.br

Responsible Tourism:

Our philosophy

Our philosophy is to operate tourism based on eco & responsible tourism principles;

a. to benefit and empower local people;
b. to conserve and protect our environment;
c. to enrich visitors experience;
d. and to reduce and or mitigate tourism impacts.

We do this through our eco and responsible tours we offer, and due to these tours, jobs are created for local people in places we visit, and through our direct projects with local people, lives are saved through our empowerment programs; linking local people to tourism business and how to benefit from them thereby creating local entrepreneurships; linking visitors to local people to share insights and experiences thus enriching visitors experience beyond the usual nature experience but by a people, nature, and cultural experience and above all having in place codes of conduct to limit tourism impacts; and contributing back to conservation, environment and local people to enable us all to conserve for generations.

We take all this as our corporate responsibility and we make sure our visitors understand, feel and share our concern, and we believe together we keep this world a better place to live in now and for generations to come.
We work directly with conservation and park authorities, local authorities and local people and both actors and stakeholders in conservation and poverty reduction. Through this working relationship, we have been able to do a number of projects aiming at linking local people to conservation thereby reducing the community-wildlife conflicts and fighting to reduce poverty by increasing linkages and incentives for conservation.

Offset your flight Carbon Emission

We have partnered with Brazil Green Society, on their tree planting project to offset the carbon emitted by flights to Brazil. You can buy your credits with us, who will be used to buy tree species and have them planted, or we can keep for you and plant upon arrival, and we will keep you informed about your tree/s in Brazil. Why not own a tree in Brazil.

Whereas planting trees is not a wholesome solution to global warming, it doe not only reduce soil erosion, but it also answers the much needed question of wood as a source of energy to communities and help in regeneration program where trees have been cut down and soil erosion rampant.

Not only does this benefit both people and environment, but also reduces threat to protected area wildlife resources in Brazil. We believe local people’s participation in neutralising carbon emissions by friends visiting them through tree planting and environmental care will make your tip carbon free.

Offset here, buy credits with us and we will reach out to communities that will plant these trees and care about our environment.

Return Short Haul Flights $15
Return Long haul Flights $ 30

Hands on Bahia : a humanitarian + volunteer work

We think you shouldn’t be paying a fortune to help people and make a difference in their lives, so join tours that make that difference. All these projects are run by the local people for the benefit of the local people.

We have a couple of humanitarian and volunteer projects around Bahia , and we will be happy to link you to where your efforts and expertise is much needed. Mostly;

* education for adults (teaching English)
* cultural villages,
* ecotourism,
* women basket weaving associations,
* youth crafting and painting,
* agriculture,
* habitat for humanity,
* community-conservation outreach programs,
* energy and water projects
* and many more……..

We believe that it’s possible and worthwhile to make a positive difference to places we visit, in need and people we meet along the way, who will in turn become our friends and a part of our family.

Code of Conduct for Tourism practiced in communities

By following these simple guidelines, you can help preserve the unique environment and cultures of the people from Bahia.

Protect the Natural Environment

* Limit deforestation- make no open fires and discourage others from doing so on your behalf. Where water is heated by scarce firewood, use as little as possible. When possible, choose accommodation that uses kerosene or fuel wood efficient stoves.
* Remove litter by burning or burying paper and carryout all non-degradable litter.
* Keep local water clean and avoid using pollutants such as detergents in streams and springs. If no toilets facilities are available, make sure you are at least 30 meters away from water sources and bury or cover wastes.
* Plants should be left to flourish in their natural environment-taking cuttings, seeds and roots are illegal in this area.
* Help your guides and porters to follow conservation measures.

The people of Bahia may change you, please do not change them by respecting local traditions, protecting cultures and maintaining local pride

· When taking photographs, respect privacy, ask permission and use restraint.

· Avoid giving to children water bottles or soft drinks known locally as “refrigerantes” as it encourages begging. A donation to a community project, health center or school is a more constructive way to help.

· You will be accepted and welcomed if you follow local customs.

· Respect for local etiquette earns respect. Lightweight clothes are preferable to revealing shorts, skimpy tops and tight fitting action wear.

· Remember when you are shopping for local products that the bargain you buy may only be possible because of low income of others.

· Visitors who value local traditions encourage local pride and maintain local cultures, please help local people gain a realistic view of life in western countries.

· Buy locally made souvenirs where possible but avoid those made from wildlife.

· Support locally owned and operated tourism initiatives.

· Limit your drive to 40km per hour or less.

· Stay in your vehicle except at designated areas.

· Follow the guidelines given to you by your guide, and always ask your guide in case anything is not clear to you.

Be patient, friendly and sensitive. Remember you are a guest to our community.

Bahia Plus a été sollicité pour soutenir un groupe d’agriculteurs de la région d’Umburanas, dans le Nord-Ouest de l’Etat de Bahia au Brésil dans sa volonté de développer un projet de tourisme rural s’inscrivant dans une démarche plus large portée par des professionnels du tourisme.
Le programme a pour objectif, grâce à la valorisation du patrimoine local, de permettre de nouvelles sources de revenus pour maintenir les exploitations en place. Le programme semble urgent étant donné la mise ne place prochaine par les autorités de l’Eat d’un Parc National Boqueirão das Onças qui risque de desestructurer les petites agriculteurs.

Bahia Plus a mobilisé alors de nombreux acteurs du tourisme rural pour permettre aux acteurs brésiliens locaux d’échanger avec des professionnels du secteur.

Ils ont ainsi pu élaborer des stratégies de développement et se former au contact de leurs partenaires. Ces échanges se sont traduits par des visites à Salvador, des stages de formation et par l’envoi à Umburanas de spécialistes à la demande ciblée des promoteurs du projet.

Sur ces bases, des actions concrètes ont été mises en place localement et ont contribué à :

- la multiplication des aménagements, notamment la création de circuits touristiques de randonnées

- l’amélioration des infrastructures (hébergement – fermes auberges, écolodges -, restauration, aménagements, respect des mesures réglementaires) ;

- la valorisation des caractéristiques écologiques et socioprofessionnelles (routes à thèmes) ;

- l’amélioration de la promotion de l’offre touristique (matériel graphique, fléchage routier, patronage du circuit, site internet) ;

- l’implication des acteurs locaux, notamment institutionnels, pour favoriser la multiplication de telles initiatives de développement local (SEBRAE, Bahiatursa, Abraturr, municipalités).

La dynamique locale existante va se développer avec la création de nouveaux circuits (16 municipalités de l’Etat de Bahia impliquées pour 28 circuits en 2011) et d’une route à thème (Route du Puma, inaugurée fin 2011).
Le soutien apporté par le SEBRAE, organisme brésilien d’intérêt public d’appui au développement économique local, est un atout majeur pour la promotion de ces initiatives.

Objectifs :

Participer au développement du tourisme rural sur l’arrière-pays de l’Etat de Bahia, en renforçant les compétences et le savoir-faire des acteurs concernés.

- Formation professionnelle et qualification des acteurs du tourisme

- Promotion du tourisme rural

- Amélioration de la qualité des produits touristiques

Actions menées :

Suite à la multiplication des actions et des partenariats, il a été décidé d’institutionnaliser cette coopération par l’intermédiaire de l’élaboration d’une convention cadre.
Le projet de convention a été soumis aux communes brésiliennes pour avis et/amendement. La signature prochaine de ce document permettra de lancer de nouvelles actions à partir du premier trimestre 2009.

Les 3 axes suivants seront dorénavant développés dans le cadre de ce partenariat :

- L’appui à la promotion du tourisme rural et des produits d’origine fermière,

- L’appui à l’adaptation de l’offre aux touristes et la promotion des circuits touristiques,

- La formation professionnelle des acteurs du tourisme.

Chacun des axes fera l’objet d’une convention opérationnelle, dont le contenu sera défini en concertation avec tous les acteurs impliqués et concernés.

L’écolodge est un lieu d’accueil touristique, parfaitement inséré dans le milieu naturel, et dont le fonctionnement et les actions menées respectent les principes suivant :

- Actions de conservation de la faune et de la flore locale
- Utilisaton des travailleurs et services locaux
- Sensibilisation / Education à l’environnement des touristes et des salariées de la structure
- Utilisation alternative de récupération d’eau et réduction de la consommation
- Assainissement et gestion des déchet générant le moins d’impact pour l’environnement
- Génération et gestion d’energie par des procédés utilisant au mieux les sources renouvelables et les qualité naturelles des matériaux et emplacement
- Construction utilisant des procédés traditionnels mélés aux avantages technologiques d’aujourd’hui, impact maitrisé durant la construction
- Intégration paysagère maximale

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